A carne consciente: o corpo feminino entre os dogmas do Oriente e os mercados do Ocidente

Em maio de 2021, o mundo colapsava sob o peso da pandemia de Covid-19. O medo operava como o grande arquiteto da vida pública e privada, fragmentando a psique coletiva e reorganizando nossas rotinas em torno do isolamento e da perda. Foi um período fraturado por uma colisão ruidosa: de um lado, a necessária defesa do método científico; de outro, o avanço cego do negacionismo. Nesse fogo cruzado, contudo, operou-se um sutil achatamento epistemológico. Na urgência de blindar a razão contra o obscurantismo, o debate público acabou por empurrar ainda mais para a margem os saberes milenares que não nasceram em laboratórios ocidentais, mas que operam de forma complementar a eles. Sistemas complexos de leitura do corpo, como o Yoga, a Medicina Tradicional Chinesa a Medicina Indigena e as práticas populares de cura, praticadas pelas benzedeiras viram sua sofisticação somática e preventiva ser menorizada, jogada na vala comum da superstição ou sequestrada por uma falsa dicotomia que apagou a potência de sua aliança com a própria ciência. Nesse cenário de desorientação, decidi passar um mês isolada em um ashram em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

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