Trabalhador Industrial

Flávio não acreditava que moinhos de vento eram gigantes. Então naquela manhã, seguiu sua rotina de dependurar-se nas hélices de braços longos do resfriador de água da usina para lhe dar manutenção. Foi quando o gigante despertou e o arremessou diversas vezes contra as paredes até arrebentar a corda que o segurava. Rodando feito um saco estropiado, Flávio despencou. Foram doze metros de pregas de ar até espatifar-se no chão.

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Fantasma

O ensaio articula filosofia, literatura e fragmentos narrativos para investigar as intersecções entre o fantasma, a linguagem, o acontecimento e a infância. Através do diálogo com autores como Deleuze, Agamben, Foucault, Lacan e referências mítico-literárias (Orfeu, Eurídice, Ariadne), o texto sustenta que o fantasma habita a fronteira insensível e incorpórea entre o real e o imaginário, atuando como o próprio motor do desejo e condição necessária da inteligência. Ao mesmo tempo, aborda a linguagem não como um mero sistema de representação das coisas, mas como uma experiência trágica nascida da ausência, da dor e do hiato da in-fância — um lugar anterior à palavra que funda a descontinuidade entre a natureza e a história humana, onde a incapacidade de nomear o inefável faz emergir a fissura e o próprio sentido da existência.

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