A mulher no garimpo: trabalho, medo e sobrevivência na exploração do ouro em Pontes e LacerdaPor Sindia Bugiarda

Blog Reportagem

Por Sindia Santos

Prólogo – Vozes no ônibus

Entrar no garimpo é como conhecer um outro povo, acessar uma outra cultura, um outro Brasil, mais profundo. Um povo que não é originário, mas originado do abandono do Estado e da necessidade de sobreviver. Em maio, desembarquei na Estação Rodoviária de Pontes e Lacerda, cidade que fica no Sudoeste de Mato Grosso, há menos de 500 km de Cuiabá, na fronteira com a Bolívia. Estava ali para entender como vivem as mulheres que trabalham no garimpo ilegal. Era noite de quarta-feira e fazia 16 c°– frio atípico ali. Sob a garoa insistente e entre faróis perdidos no escuro da estrada, surgiram os primeiros contornos de uma cidade encharcada por uma tensão antiga, a disputa pelo direito de explorar o ouro entre mineradoras e garimpeiros. Uma luta histórica, atravessada por questões de gênero, raça e classe.

Ainda no ônibus, comecei a escutar os primeiros ecos do garimpo. Eram vozes femininas. Tatiane, ao lado da mãe, tentava acalmar o filho de quase dois anos, que se debatia no chão molhado do corredor. Voltavam de Cuiabá, onde o menino havia se submetido a uma cirurgia no nariz para corrigir desvio de septo e adenoide. Ficaram duas semanas por lá, sustentados pela lojinha de roupas que Tatiane abriu em 2015, quando a Serra do Caldeirão explodiu na rota do ouro no Brasil. “Num belo dia, acordamos e a cidade estava lotada. Três mil pessoas a mais. Tinha gente de Rondônia, Pará, Bolívia, Venezuela”, conta ela. Muitas de suas clientes são as meninas do job – dentro e fora do garimpo: vestidos, shorts, tops, roupas íntimas. “A prostituição dentro e fora da cidade cresceu muito. Tem meses que faço três ou quatro mil”, explica ela.

Tatiane sabe que o garimpo é ilegal. E mesmo assim, foi tomada pelo pavor ao atender uma ligação, realizada pouco antes da cirurgia do filho. Uma voz masculina informava que, daquele dia em diante, sua loja teria que pagar dois mil reais por mês para continuar funcionando. Uma taxa de segurança. Ela parou o carro onde estava, ligou para a mãe e depois para a polícia. Não pagou. “Mas gelei”, disse. “A gente fica com medo. Temos funcionado a portas fechadas, com vendas basicamente online”, arremata.

A essa altura da viagem, outras mulheres já participavam da conversa. Maria Cristina, 70 anos, professora de português, formada em uma das primeiras turmas de Literatura e Línguas da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), contou que o muro da casa onde mora vive sendo pichado com a sigla CVMT — Comando Vermelho de Mato Grosso. E apesar de constantemente cobrir as letras com tinta, em dois ou três dias, os pichadores voltam. A sigla avisava: naquela região, ninguém poderia comercializar drogas sem a autorização do CVMT. Por outro lado, comentavam as mulheres, os roubos diminuíram na cidade, a ponto de poderem andar com o celular na mão a qualquer hora. Quase todas concordavam em uma coisa: a economia da cidade girava muito mais pelo garimpo ilegal do que pela agropecuária exaltada nos textos da prefeitura. Era o ouro que movimentava a rua, a feira, as lojas, os bares, os restaurantes, as casas de prostituição, que se proliferaram tanto quanto as igrejas evangelicas. A cada quadra era possível topar com uma. O paradoxo virou piada: “os pecados são lavados no culto para serem renovados na mesma noite nos cabarés”, contam elas. Também foi o ouro que fez subir os valores de aluguel e da remuneração dos trabalhadores locais. E era sobre ele que pairava a tensão, a violência e a promessa de prosperidade.

É neste território, onde homens se embrenham na floresta tropical e arriscam suas vidas em busca de ouro, que mulheres também lutam para sobreviver. Dentro do garimpo são elas que cozinham, lavam louças e roupas, organizam os barracos, aplacam a solidão dos garimpeiros e mantêm um cotidiano parecido com o de uma vida comum. Elas são minoria, e, no entanto, a presença da mulher é imprescindível. O Estado brasileiro considera criminosos os cerca de oito mil homens que vivem e trabalham nos 67 mil hectares da Reserva Indigena Sararé. Sem as mulheres, o trabalho criminalizado seria mais duro e o risco de estar ali seria, talvez, insuportável. 

Entre elas está Giovana.

Na cozinha do garimpo – as mulheres que alimentam as máquinas

Giovana, 41 anos, mexia com uma colher de pau no recipiente repleto de pedaços de frango temperados. Em minutos, eles seriam fritos e servidos junto ao arroz, feijão, na hora do almoço para as 18 pessoas que trabalhavam naquele barranco: garimpeiros, gerente, dono da máquina, cozinheiras e compradores de ouro. Da janela da cozinha improvisada dava para ver a manhã de céu azul e nuvens baixas, rodeado pelo verde da mata densa, que contrastava com as enormes crateras de terra alaranjada que nos rodeavam. Estávamos no “Fofoquinha”, uma espécie de centrinho entre os garimpos espalhados pelo Sararé. Há um ano, Giovana assumiu a responsabilidade pela alimentação ao substituir uma cozinheira que tiraria férias. A amiga nunca mais voltou. Já começou cozinhando para quarenta homens. Hoje, serve vinte trabalhadores e conta com a ajuda de Juliana, de 29 anos, que chegou há pouco menos de um ano na região. “Já trabalhei na área 4 e na 10. Mas aqui fiquei mais tempo, cerca de 9 meses. Por conta de operações policiais, fiquei muito parada”, lamenta Juliana, que tem uma filha de 5 anos, que ela deixa aos cuidados do pai, em Rondônia: “O ajudo financeiramente para que ele cuide dela enquanto estou aqui. Volto nesse final de semana para casa”. 

Quando há operações policiais, as cozinheiras se embrenham na mata com os garimpeiros e cuidam da alimentação mesmo sob condições precárias. A cozinha nunca pára. Emilia, de 42 anos, que trabalha em outro barranco do Fofoquinha, se lembra das pessoas de um garimpo próximo correndo em direção à mata, para se esconder e esperar o fim da operação policial. A fumaça preta subia pelo céu, o barulho do helicóptero, o medo estampado no rosto das pessoas, que parecia reflexo do seu. Em 2019, ela deixou a Venezuela, onde era professora universitária de literatura e línguas. Ganhava cerca de R$ 200,00 por mês. Com três filhos, mãe e pai seria impossível sobreviver. Há 10 anos atua no garimpo e, hoje, estabeleceu-se no Pará, com as duas filhas mais velhas e o marido. Seu filho de 13 anos, ainda vive com seus pais em Caracas. Emília  recebe R$5000,00 mil mensais fixos, para preparar 5 refeições diárias para seis pessoas. Vivem dessa remuneração além de seus pais e filhos, sua irmã. Atualmente, seu marido trabalha com madeira. 

Cada garimpo tem uma organização diferente, o salário de Emília é fixo, outros preferem participação nos lucros via percentual. Raramente passa de 2%, explicam elas. Isso quer dizer que cada garimpo possui políticas de trabalho diferentes, que passam pelo percentual que o trabalhador recebe pela produção de ouro até o modo como o ouro é extraído e os danos causados à terra. A regra geral é que na maioria dos garimpos, o trabalhador sabe da importância do próprio ofício. Ninguém precisa checar a tarefa alheia. “Na cidade os patrões além de pagar pouco, nos humilham. Como venezuelana, enfrentei muitos preconceitos. Diziam para eu voltar para a minha cidade. Mas não desisti, não. Estou aqui”, Emília esboça um sorriso tímido enquanto prepara empanadas de carne para colocar no forno. 

No garimpo, os trabalhadores são autônomos, organizam seus turnos, e também quando podem tirar férias ou retornar ao posto. E se não quiserem mais trabalhar ali, basta avisar. A substituição é imediata porque quase sempre tem alguém querendo trabalhar no garimpo. O importante é que as máquinas precisam funcionar 24 horas. E, é a cozinha que abastece os homens que mantêm as máquinas funcionando.

Coxas, sobrecoxas e peito de galinha se amontoavam no fundo da panela, já fritos. Apesar do improviso, a cozinha de Giovana é extremamente limpa. De tão ariadas, as panelas penduradas nos pregos da estrutura de madeira que sustentava o telhado de plástico do barraco, pareciam espelhos nos quais vemos luzes se mover, ainda sem forma alguma. Branco por fora e preto por dentro, as cores do telhado evitavam o calor e protegiam os olhos do sol de rachar. Em uma semana, Pontes e Lacerda foi do mais gélido frio ao mais ardido calor. 

Mesmo com a temperatura insuportável, ninguém ali parecia duvidar, o garimpo é um lugar bom para se viver. Bastava ficar atento: havia onças, jacarés e cobras. Se um cachorro ou um gato der bobeira na beira do rio, o Reginaldo carrega para baixo das águas. Reginaldo seria um jacaré ou, como os garimpeiros chamam, um cayman ou crocodilo de pequeno porte, habituado a aparecer em pontos diferentes do Sararé. Dizem que tem cerca de cinco metros. No vídeo que um dos garimpeiros mostra, o animal preso pelo pescoço é bem menor. Reginaldo não mexe com os homens. Ao contrário das onças, que circulam entre os barracos durante a madrugada e atacam aqueles que correm menos. O maior medo dos garimpeiros, contudo, não tem garras ou presas. Mas tem asas e braços que cospem fogo. São as operações policiais. Ao ouvir o som do helicóptero, o garimpeiro fica desesperado. Ele sabe que o saldo serão carros e escavadeiras destruídas e queimadas, juntamente com os mantimentos e as roupas. Tudo perdido. “E se tivermos ouro, eles roubam”, conta Giovana. 

O aroma delicioso do arroz com feijão começava a atrair os trabalhadores, que desde às 5h da manhã estavam de pé.  Aquela seria a terceira refeição entre as seis servidas por dia. Antes, por volta das 8h, teve o “viradão”, prato comum no garimpo, que mistura o que sobrou da janta, exceto o feijão, com ovos mexidos. Os trabalhadores deixavam a fila com seus pratos abarrotados. 

“Eles precisam se alimentar bem para dar conta do trabalho pesado”, explica Giovana. Aqueles que operam as escavadeiras, que funcionam 24 horas por dia, e as “lavadeiras”, por exemplo, precisam estar atentos e fortes. Lavadeiras são estruturas improvisadas de madeira, que separam o ouro da terra. À elas são acopladas tubulações que fazem a sucção da lama depositada no fundo dos buracos escavados para duas plataformas sobrepostas, uma delas coberta por um filtro, onde o ouro assenta diante do jato de água usado para lavá-lo.  A pressão das mangueiras é tão forte que se escapar das mãos de um operário, as chances de um acidente grave acontecer são enormes.

Os donos da máquina

Hoje, não existiria garimpo sem a escavadeira. Em 24 horas, essa máquina faz o serviço que três homens fariam em 40 dias. É ela que os poupa de carregar toneladas de areia nas costas ao abrir a cratera na terra. Por isso, o dono do garimpo, ou do barranco, é chamado também de “o dono da máquina”. 

No Fofoquinha, Valmir é dono de um dos barrancos. Magro e de feições duras, estava sentado à mesa do almoço, quando notou o gravador desligado à sua frente. Fechou a cara. Loira, a compradora de ouro que havia nos garantido a entrada e o pernoite naquele  barranco, me puxou pelo braço e sussurrou: “Guarda o gravador. Se ele cismar, bota a gente pra fora”.

Valmir divide o barranco com mais dois sócios. Todos os garimpeiros dali trabalham para eles. Em regra, os donos da máquina embolsam 90% do ouro tirado da terra. Garimpeiros e cozinheiras ficam com 1% ou 2%. Depois vem o percentual ou salário do gerente, responsável pela divisão do ouro produzido nos turnos, e qualquer outro problema – como defeito nas máquinas, compra de mantimentos, etc. O resto são gastos com combustível, aluguel e manutenção das escavadeiras, comida e transporte.  

Talvez por isso, Valmir tenha se incomodado quando os compradores começaram a pesar o ouro daquele dia. A menor pesagem foi de 2,67 gramas. Se isso representava 1% da produção, Valmir tinha faturado cerca de R$120.000,00 mil em um único turno de trabalho. Uma quantia considerável para um barranco que ficou três meses parados devido às operações policiais.

O delegado da cidade, João Paulo Benté, sabendo da importância das escavadeiras, passou a focar suas investigações no transporte de combustível e no aluguel do maquinário. Em uma dessas operações, realizadas junto a Polícia Rodoviária Federal, conseguiu recuperar uma escavadeira hidráulica furtada no Estado de Santa Catarina. “Fizeram um contrato de aluguel com a empresa, e desapareceram com a escavadeira. Como tinham que usar a estrada para transportá-la, conseguimos localizá-la”. O valor de algumas dessas máquinas chega a um milhão de reais.

Enquanto garimpeiros disputam a sobrevivência no barranco, mineradoras legalizadas garantem a exploração do ouro com apoio estatal. Foi o que aconteceu com a Aura Apoena, mineradora canadense, autorizada a explorar o minério na Serra do Caldeirão, logo após a expulsão de garimpeiros em 2016. Ou com a Minerbras Mineração, que pertence ao filho de Mauro Mendes, Governador de Mato Grosso pelo partido União Brasil. Luís Antônio Taveira Mendes, de 28 anos, é sócio de uma série de empresas de mineração no Estado administrado pelo pai. Parte delas atua com extração de ouro. O pai, que também já foi prefeito de Cuiabá, possui uma ficha manchada. Em 2015, o Ministério Público Federal (MPF) o acusou por manter mais de 230 funcionários em situação análoga a escravidão, através da Mavi Engenharia e Construções, que fez parte do Grupo Bipar, que tem até hoje em seu quadro societário a esposa do atual Governador. A empresa chegou a abrir falência, mas entrou em recuperação judicial, graças a Flávio Miraglia Fernandes, então juiz da 1° Vara Cível Especializada em Falência e Recuperação Judicial. O juiz chegou a sofrer um processo administrativo disciplinar (PAD) por suspeita de vender sentenças quando estava à frente da 1° Vara. Em 2018, o PAD foi julgado improcedente. 

Assim, enquanto máquinas de empresários “graúdos” seguem perfurando a terra sob amparo de contratos, os barrancos onde trabalham os pequenos garimpeiros viram alvo de destruição. A tensão é constante.

As diferentes políticas do garimpo

Muito distante do Fofoquinha, fica o barranco de Jefferson, conhecido como Bolinha. Gordo e alto, Bolinha pilotava bravamente sua Hilux pelos acessos tortuosos que levam aos pontos mais remotos da reserva indigena. Filho de garimpeiro que virou pecuarista, Bolinha parecia bem sucedido nos negócios. Naquele dia, havia lucrado R$400.000,00 mil reais antes do meio-dia. Sua Hilux também tinha acesso a Starlink, que lhe custava mensalidades acima de 500 reais mensais. No garimpo, todo mundo tem acesso a starlink, mas poucos o tem no carro. Seu barranco era o oposto daqueles distribuídos pelo Fofoquinha. Limpo e sustentável, não só ecologicamente como financeiramente. Não havia latas e garrafas espalhados nos arredores de seu barranco e tampouco a água das crateras possuíam espuma amarelada em sua superfície. Sequer o papel higiênico usado era jogado nas margens do rio ou dentro da mata, nos pontos que servem de latrina. E Bolinha fazia questão de mostrar que era possível fazer um trabalho que reduzisse os danos ao meio. Por isso, era importante que o garimpo fosse legalizado, defendia ele. 

Mostrando um pequeno maquinário que serviria para reaproveitar o mercúrio, ele fez críticas ao modo com que a imprensa trata a luta pelo trabalho no garimpo: “Falam que contaminamos o leito dos rios. Isso não existe. Um quilo de mercúrio custa quase quatro mil, no mercado ilegal. Custa caro, então, reaproveitamos tudo”. Bolinha explicava que o mercúrio é utilizado em sua forma líquida para atrair o ouro formando uma liga entre as substâncias. Esse concentrado é queimado, o mercúrio evapora deixando apenas o ouro em seu estado bruto. A contaminação poderia ocorrer de forma direta, por inalação, ou indireta, após se acomodar no solo onde se mistura com compostos orgânicos formando uma substância altamente danosa, provocando graves complicações à saúde de garimpeiros ou de pessoas que indiretamente são infectadas.

Com o reaproveitador de mercúrio, as pedrinhas de ouro, submetidas a um calor intenso, saltavam em tons de dourado suaves, livres das impurezas e o mercúrio escorria pelo pequeno duto, para ser reaproveitado. “É assim que produzimos o segundo melhor ouro do mundo, 97% ou 98% de pureza. Só perdemos para a Austrália, que possui 99%”, explicava ele. Ao lado, garimpeiros pesavam e vendiam o que foi produzido naquele dia ou ao longo da semana. Em pouco mais de 20 minutos, surgia à nossa frente um montante, armazenado num saco plástico, que poderia chegar a um milhão de reais.

Na cozinha de Bolinha, com o almoço já pronto, Valdete, 40, preparava as marmitas para os operadores de máquina. Há seis meses fora contratada para cozinhar para cerca de 14 pessoas. Desde os 22 anos, Valdete vive do garimpo: Roraima, Pará, Rondônia – aprendeu com os país, também garimpeiros. “Meu pai era dono de máquina. Mas não usou a cabeça”. Dos oitos irmãos, apenas ela seguiu o caminho aberto pelos pais. E isso faz diferença não só na vida dos filhos, mas também na dos pais, irmãos e outros parentes que contam com sua ajuda financeira. “O emprego na rua está muito difícil. Parei de estudar na quarta série. Jamais receberia a quantia que recebe em um emprego comum. Onde conseguiria um trabalho como aquele, ela se pergunta. “Podem falar o que for, mas é um serviço digno, honesto, tenho orgulho de trabalhar aqui. E os patrões aqui são bons. Não chegam explorando ou humilhando.”, conta ela.

Contudo, a diferença na divisão de lucro e de trabalho entre donos de máquinas e garimpeiros era abissal. Um garimpeiro que tirasse seus 15 mil no mês estava com sorte. Bolinha, em um dia regular de garimpo, podia fazer isso antes do almoço.

Valmir era todo o oposto de Bolinha. Do trajeto iniciado no centro da cidade até o seu ponto de garimpo e depois, na volta, Bolinha não parou de falar, mesmo com o gravador registrando tudo. E fez questão de mostrar in loco como seu garimpo funcionava. Já Valmir, mesmo com o gravador desligado, declarou que não falaria mais nada. E sua resolução foi acatada por todos ao redor, que na primeira oportunidade, esconderam o gravador, vindo a devolvê-lo posteriormente. “Se os sócios dele estivessem aqui, seria pior. Ele é o mais calminho”, me explicou Loira. 

E de fato, ele deveria ser. Passado algum tempo, ele engatou em uma conversa com Loira sobre procedimentos estéticos – Botox, ácido hialurônico, lavieen – que, confessava ter se submetido nos últimos tempos. Era quase impossível detectar as intervenções em seu rosto magro e adunco. “Se não nos cuidamos, tudo despenca”, arrematou ele. Loira gargalhou. Muita gente que trabalha no garimpo destina parte do seu dinheiro para tratamentos estéticos. Loira mesmo havia acabado de comprar uma Shape Space, um equipamento de fitness que utiliza tecnologias como vácuo e infravermelho para promover a perda de peso e a modelagem corporal. Ela confessa que só não se submeteu a uma harmonização facial e outros tratamentos porque o marido, que vive em Ponta Porã em Mato Grosso do Sul, não gosta de alterações muito drásticas. Giovana, a cozinheira, também reserva parte do dinheiro que recebe para pagar um consórcio estético numa clínica na Bolívia, onde pretende se submeter a uma abdominoplastia. “São 12 meses de parcelamento. A entrada foi R$500,00, depois vamos pagando o quanto conseguimos, o importante é não deixar de pagar”.     

O garimpo ancestral 

Por volta das 4h da manhã, Giovana acordou e foi preparar a primeira refeição do dia: um café simples com pão fresco com manteiga e bolo de abacaxi. Toda massa é preparada no dia anterior e colocada para assar de madrugada. Ao meio dia, com o sol a pino, ela começava a preparar as marmitas para levar a alguns garimpeiros que não poderiam deixar seus postos. Aqueles que almoçam na cozinha já começavam a se aglomerar em fila.

Giovana foi parar no Sararé quando decidiu abandonar o ex-parceiro no Pará e vir para o Mato Grosso. Era o seu segundo casamento e ele também era garimpeiro. E como muitos, bebia de ficar transtornado, agressivo, se “tornava outra pessoa”, explica a ela. Numa noite, em meio a uma briga, ele lhe disse algo como: “Você bem merecia morrer naquela cama, com o bucho aberto”. Para ela foi a gota d’água: “ele me olhava com tanto ódio enquanto dizia aquilo que foi o mesmo que tivesse feito isso comigo”. Na mesma noite, assim que o marido pegou no sono, ela fugiu para a casa dos pais. Contudo, as ameaças do “parceiro”, estenderam-se a seus pais, já vulneráveis a confrontos porque vinham enfrentando problemas de saúde. Seu pai, inclusive, havia acabado de se submeter a uma cirurgia de catarata. Foi nesse momento que o convite para substituir temporariamente a amiga cozinheira se tornou mais do que irresistível, necessário. 

Aquela não era uma realidade nova para Giovana, que desde os cinco anos já morava em um garimpo com os país. Ela fazia parte da terceira geração de garimpeiros família. “Não tenho o ensino médio concluído, fui até o primeiro ano e parei. Nunca conseguiria ganhar na cidade o que recebo aqui. No garimpo, meus conhecimentos como dona de casa valem alguma coisa”, explica ela. E valem mesmo, uma média de R$10 mil por mês. “Trabalhar aqui é duro, ficamos internados por meses, não há garantia de nada. Nos últimos três meses, por exemplo, só trabalhei, não recebi nada. Mas, agora, entre final de maio e começo de junho, fiz R$ 49.000,00 mil”.

O avô de Giovana também fora garimpeiro. Ela cresceu vendo homens apostarem a própria vida em garimpos como Serra Pelada, Garimpo do Ageu, Cumaru. Localizada à sudoeste do Pará, Serra Pelada foi o mais famoso deles. Considerado o maior garimpo a céu aberto do mundo, explodiu no começo da década de 80, chegando a reunir 100 mil homens na escavação da cratera. Segundo jornais da época, os fatores que motivaram esta grande migração foram a seca no Nordeste, as enchentes na Amazônia e a recessão econômica vivida no Brasil. A importância de Serra Pelada foi tamanha, que a quantidade de ouro extraída chegou a corresponder a 52% do volume nacional de ouro durante a década de 1980. As imagens épicas de homens carregando sacos de areia nas costas, subindo e descendo em filas nos veios de imensas crateras, escavadas sem maquinário algum impactaram o mundo. Especialmente através do trabalho de Sebastião Salgado, fotógrafo que eternizou homens trabalhando contagiados pela febre do ouro. As fotografias que lhe renderam prêmios e o projetou no mundo. A dimensão simbólica das imagens foi tamanha que os garimpeiros passaram a ser comparados com os escravos egípcios construindo as pirâmides. 

Rapidamente, Serra Pelada se tornou uma ameaça nacional, justificando uma intervenção militar. O Major Curió foi encarregado de desarmar os garimpeiros e abrir caminho para a Caixa Economica impedir a comercialização ilegal de ouro. Curió fez justiça a sua fama de perverso conquistada a partir de sua participação na Guerrilha do Araguaia, onde camponeses foram massacrados pelo exército brasileiro, e mesmo assim se mantiveram em confronto de 67 a 74. Em Serra Pelada, os garimpeiros foram, primeiro, desarmados e depois, emboscados. Estima-se que entre 50 a 79 trabalhadores e seus familiares foram mortos por agentes militares no confronto que ficou conhecido como “Massacre da Ponte de Marabá” ou “Guerra de São Bonifácio”. Até hoje, sobreviventes do massacre e a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) refutam esse número reduzido diante dos desaparecidos.

A luta pelo direito de trabalhar e explorar ouro foi perdida para a Vale do Rio Doce, autorizada até hoje a explorar minérios na  região. Em 2007, a Coomigasp ainda brigava judicialmente para poder explorar a terra que nunca lhes foi cedida, após anos de trabalho. E a empresa, que teria a estrutura material e deteria o conhecimento técnico para fazê-lo, a Vale, está envolvida nos dois dos maiores desastres industriais do mundo (Mariana, 2015 e Brumadinho, 2019). Ou seja, a destreza técnica que colocou a Vale acima dos garimpeiros, se mostrou insuficiente para evitar que o Brasil figure na lista dos maiores desastres mundiais do mundo. Ambos na área da mineração. Por isso, Giovana questiona:  “Empresas como a Apoena podem explorar a região e a gente, não. Isso é injusto, não tem sentido”, defende ela, que pela segunda vez, encarava um trabalho considerado ilegal por sua conta e risco. 

Foi no garimpo que ela aprendeu a se reerguer, a ser dona de seu próprio nariz. Tudo aconteceu em 2013, quando ao separar-se, se viu a única responsável por seus três filhos, hoje com 17, 18 e 19 anos. O marido não pagava a pensão. Ela ri desgostosa: “Às vezes ele ajudava com R$200,00. O que são R$200,00 na rotina de três criança?!”. Atualmente, além dos filhos, a cozinheira também ajuda o irmão, que em dezembro quebrou a perna, e os pais. E no começo do ano, seu filho mais velho se meteu numa enrascada empinando uma moto. A multa foi de R$8.00,00 mil. E mais uma vez, ela dá “graças ao garimpo”, por ter levantado uma boa grana naquele mês. “E lá se vão 35 anos de garimpo. Isso aqui é viciante, moça”, ela explica. 

 Currutela e CV

Na entrada da currutela — área em que concentra  bares e cabarés no Fofoquinha —, Cigana para diante de uma barraca do CV. Os jovens ouviam  funk em  alto  volume  e  faziam a guarda do local exibindo sorrisos confiantes. Para Berté, há um ciclo de exploração que prende jovens como esses ao tráfico: “Eles entram para a facção pelo dinheiro, que nunca vem, se viciam em drogas, passam a trabalhar no garimpo, se endividam e acabam sendo mortos lá dentro. Sem corpo, sem preservação do local do crime, o caso acaba arquivado. São completamente descartáveis para as lideranças da  facção.”

O CVMT se instalou em Pontes e Lacerda quando o Caldeirão da Serra ganhou repercussão nacional como a nova Serra Pelada. Hoje, controla o comércio de drogas tanto na cidade quanto dentro do garimpo, onde os preços são inflacionados: uma garrafinha de corona ou um maço de cigarros custam R$ 50. 

No primeiro cabaré em que paramos, duas jovens fumavam maconha ao lado de um homem. Rapidamente, ele se ergueu e guardou a arma que repousava sobre o banco de madeira. Se apresentou como demarcador de terras. Em um garimpo ilegal, no entanto, a hipótese mais provável é que fosse grileiro.

Bruna, a estreante do Sararé

Bruna se inclinava sobre a mesa enquanto conversava com um cliente. O vestido de malha verde realçava suas curvas, o coque improvisado e o rosto sem maquiagem lhe conferiam um ar de franco. Olhava fixamente nos olhos do homem, que parecia cativado pela atenção. Antes, seduzir a deixaria envergonhada; agora fazia parte de um plano: juntar dinheiro para abrir um mercadinho ou uma distribuidora de bebidas em Rondônia, sua cidade natal. “Um ano, talvez dois”, calculava o tempo que permaneceria no garimpo. “O que ganhamos lá fora não nos permite futuro. O garimpo é uma alternativa”, explica.

Aos 30 anos, era a primeira vez que pisava em um garimpo — e em um cabaré. Estava ali há uma semana e já nos primeiros dias, faturou R$ 2 mil. Técnica em segurança, faz parte da minoria no garimpo que conseguiu concluir o ensino médio. “A escolaridade conta pouco aqui, o importante é ter paciência, humildade e respeito”. Quarenta minutos de sua companhia vale uma grama de ouro; para passar a noite, R$ 1 mil. Além disso, há a taxa da “chave do quarto”, entre R$ 150 e R$ 300. Em sete dias no Sararé, Bruna tem atendido dois clientes por noite, média registrada entre as demais mulheres.

“Às vezes me pergunto o que estou fazendo aqui, me expondo entre tantos homens. Depois lembro que sou solteira. Desde a separação, que me deixou muito deprimida, doente mesmo, parei de romantizar as relações. Para mim, não vale tanto a pena. Estou focada em estar sozinha. Porque a mulher sozinha está melhor”, reflete.

Todo o dinheiro arrecadado vai direto para a mãe, que cuida de seus dois filhos: uma menina de 11 anos e um menino de 5. Desde o divórcio, Bruna assumiu sozinha a responsabilidade pela casa. Já havia trabalhado em supermercados e lojas, mas nunca conseguiu equilibrar as contas. Ao ouvir falar de melhores perspectivas de salário por conta do Caldeirão da Serra decidiu arriscar. Ao menos foi essa a desculpa que deu aos seus familiares e amigos, que não sabem que ela é uma profissional do sexo: “Me sinto muito vulnerável,  mas  quero dar um futuro diferente para os meus filhos”, declara.

Ju, veterana do garimpo

Na mesa ao lado, Ju, 29 anos, tentava se recuperar da noite anterior. Cinco pulseiras marcavam as cervejas Coronas consumidas. Desde 2019, ela atua na prostituição em áreas de mineração ilegal — e já acumula três anos apenas no Sararé. “Comecei por curiosidade, depois me acostumei. Curiosidade pelo dinheiro, sempre é pelo dinheiro”, admite. O retorno financeiro é expressivo: em 2023, movimentou R$ 2,5 milhões em sua conta bancária. Em um único mês, já chegou a faturar R$ 48 mil; em uma semana, R$ 17 mil. “Se eu tivesse cabeça, não estaria mais aqui”, resume.

A experiência ensinou que sobreviver no garimpo exige prudência. “Aqui é saber entrar se quiser sair. O importante é o respeito. Todo mundo anda armado e garimpeiro não leva desaforo”, explica. Ainda assim, situações de risco são inevitáveis. Ju lembra de quando um cliente se tornou agressivo: “Os outros garimpeiros não deixaram ele fazer nada. Mas foi assustador.”

Ju não pretende envelhecer ali. Separada e mãe de duas crianças — uma menina de 5 anos e um menino de 12 —, planeja abrir uma loja de conveniência. O rendimento seria menor, mas permitiria dedicar mais tempo à família. Ju nunca escondeu seu trabalho dos familiares. “No começo foi difícil, muito julgamento. Depois viram que eu não ia ligar e aceitaram de boas”, conta, sorrindo.

Enquanto isso, o cliente que conversava com Bruna desiste do programa. Levanta-se e vai embora. O sol e o trabalho duro haviam envelhecido seus 45 anos em pelo menos duas décadas. Com os pés castigados por micose, preferiu voltar à noite.

Filha da dona do cabaré

No Sararé, a chegada de uma profissional do sexo é anunciada com fogos de artifício. É assim que os garimpeiros são avisados. Embora exista uma rede de comunicação interna muito estruturada, as mulheres são proibidas de acessar esses canais. Quem explica é Cristina, estudante da  Universidade  Estadual  de Mato Grosso (Unemat). Ela cresceu no garimpo: a mãe é dona de um cabaré na área 3, considerada uma das mais perigosas da região. “A mulher de costas que aparece no vídeo estourando fogos é minha tia. Atuamos em uma área onde integrantes do CV também são donos de máquinas”, diz Cristina, que os apelida de topzões.

Há pouco tempo, seu irmão mais velho — operador de máquina — foi ameaçado. Uma jovem, preferida de um topzão, interessou-se por ele. Todo mundo sabia que a jovem não pertencia ao integrante da facção. Ele teria de pagar R$ 1 mil  por dia para ter exclusividade. Para obrigar a jovem a ceder, o topzão afugenta os possíveis clientes. Chamou o irmão de Cristina para fora do bar e lhe disse: “Está vendo aquele buraco ali? Se continuar aqui, eu te mato e te enterro hoje mesmo. Ela é minha”.

Nem sempre, porém, os riscos às mulheres vêm do ciúme. Até mesmo figuras respeitadas, como cozinheiras, podem ser alvo. Em abril, o corpo de Rute Cardoso Pereira, 27 anos, foi encontrado sob a ponte do rio Sararé. Os cadáveres são deixados em pontos de fácil acesso para evitar a entrada da polícia, explica Berté. “Quando entramos, as máquinas param e todo mundo perde”, diz ele. A presença do corpo, ao menos, permite comunicar às famílias que muitas vezes desconhecem a atividade ilegal de seus parentes.

Natural de Guajará-Mirim (RO), Rute se mudou para Pontes e Lacerda com o marido, Isaías Ferreira, em busca de oportunidades. Ele foi o principal suspeito do crime. Segundo Berté, Isaías teria sido morto, em represália, pelos garimpeiros. Cristina, no entanto, conta outra versão: Isaías, ligado ao CV, teria voltado da cidade sem o ouro que fora vender. Diante da cobrança de Rute, atirou duas vezes contra ela com uma espingarda calibre 12, enquanto a companheira dormia. Capturado pelos  garimpeiros, acabou entregue à facção. Coube ao próprio primo, também integrante do CV, degolá-lo. A execução foi filmada e divulgada como demonstração de poder. Para Cristina, chamar o Sararé de “terra sem lei” é um erro: “A lei da cidade não serve lá. Eles têm regras próprias”.

Mato Grosso lidera, pelo segundo ano consecutivo, o ranking nacional de feminicídios em proporção à população feminina, segundo dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) de 2025. Em 2024, o estado registrou 47 casos, o que representa uma taxa de 2,5 casos por 100 mil habitantes, a maior do Brasil. E, entre janeiro e agosto de 2025, já contabiliza 35 mulheres assassinadas — um aumento de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

De acordo com o “Relatório das mortes violentas de mulheres por razões de gênero”, Pontes e Lacerda tem um caso de feminicídio registrado em 2024, contudo, algumas mortes não foram contabilizadas como feminicídio, como é o caso de Flávia, citada no começo da matéria. No garimpo, comenta-se a boca pequena, que Flávia poderia ter sobrevivido se, em vez de matarem os jovens do CV que disputavam um barranco com o namorado dela, os garimpeiros tivessem a levado ao hospital.

De acordo com a Promotora da cidade, Clarisse Morais de Ávila: “Pontes e Lacerda como qualquer cidade do Brasil, infelizmente, apresenta um aumento progressivo de de crimes envolvendo violência doméstica contra a mulher. É uma realidade da sociedade brasileira, independente de estar ligado ao garimpo ou não”. 

Cigana — a compradora de ouro

Após 24 horas circulando pelo garimpo do Fofoquinha para comprar ouro, Cigana se preparava para deixar a região. A mochila carregada a deixava visivelmente tensa. O lábio superior tremia de forma involuntária. “Basta saber esconder direitinho”, justificava. Natural da Paraíba, onde viveu até os 20 anos, Cigana ganhou fama no garimpo pela resistência. Caminhava longas distâncias entre os pontos de extração, dormia em sacos de dormir em terrenos irregulares, tomava banho com água de chuva em boxes improvisados com galões plásticos e sacos de lixo, e usava a beira do rio como latrina, entre nuvens de mosquitos.

Atualmente, embora mantenha uma casa em Pontes e Lacerda (MT), mora em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai, junto ao marido. Há três anos circula no Sararé, onde além de comprar ouro passou a desempenhar papel central na rotina dos garimpeiros: leva medicamentos, roupas, celulares, vitaminas, preservativos, estimulantes, produtos de higiene e até perfumes e hidratantes.O trabalho exige jogo de cintura: finge não ver grileiros armados, trata integrantes do CV com a mesma naturalidade que dedica aos donos de máquinas e evita qualquer referência a crimes ou ao comércio de drogas. A todos dirige-se como se fossem velhos conhecidos.

Na noite anterior, quando se  preparava para dormir, sonhou em voz alta diante do Instagram: desejava comprar um airscooter, pequeno helicóptero individual avaliado em 300 dólares, que julgava ideal para enfrentar os deslocamentos do garimpo. Com o dinheiro que recebe já adquiriu uma máquina de modelagem corporal, a Shape Space, para manter suas caminhadas  pelo  Sararé, além de ter iniciado a reforma da casa em Pontes e Lacerda. 

Pouco antes de embarcar na lancha que a levaria a um dos pontos de saída da reserva, Cigana trocava mensagens por WhatsApp com olheiros que monitoravam a presença da polícia na estrada. O sistema de comunicação interno do garimpo, reconhece o delegado Berté, é tão eficiente que torna impossível a entrada de autoridades sem que todos saibam.Alguns minutos depois, já dentro do carro, Cigana largou o celular e deu o veredito: “Está liberado, podemos seguir”.

Em outubro, as operações policiais destruíram mais de 150 escavadeiras hidráulicas, um prejuízo de mais de R$226 milhões. Vários donos de máquinas começaram a migrar para Rondônia. Pelota teve suas máquinas queimadas e seu barranco destruído. Os garimpeiros começaram a bater em retirada, à procura de outros pontos de exploração. “Garimpeiros são como nômades, viagem pelo Brasil inteiro, especialmente para regiões mais profundas como Rondônia, Roraima, Pará, a fim explorar não somente ouro, mas também diamantes, entre outros minérios”, explica Berté.  

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